LIBERDADE IGUALDADE FRATERNIDADE
AS VIRTUDES:
ESPERANÇA
“Do latim sperare (esperar, desejar, antever com otimismo).
Sentimento que leva o homem a olhar para o futuro, considerando-o portador de condições melhores que as oferecidas pelo presente, de tal sorte que a luta pela vida e os sofrimentos são enfrentados como contingências passageiras, na marcha para um fim mais alto e de maior valor. Do ponto de vista teológico, a Esperança é uma virtude sobrenatural, que leva o homem a desejar Deus, como bem supremo.
Genericamente, a esperança é toda a tendência para um bem futuro e possível, mas incerto. Psicologicamente, tensão própria de quem se sente privado de um bem ardentemente desejado (imperfeições ou paixões), mas que julga poder alcançar por si mesmo ou por outrem. A esperança diz respeito aos bens árduos e difíceis, porque não dependem apenas da vontade de quem os espera, mas também de circunstâncias ou vontades alheias, e que, por isso, a tornam de algum modo, incerta e falível. Justaposta às esperanças do dia-a-dia, há a grande esperança, ou seja, um vínculo permanente entre a espécie e o seu criador.
A Esperança, sendo algo infuso, faz com que o nosso pensamento ultrapasse tempo e espaço e penetre na imensidão do espaço infinito. Assim, de posse desta virtude, esquecemo-nos momentaneamente das dores, dos sacrifícios, das doenças, das dificuldades e lembramo-nos somente da felicidade regida pela paz e tranqüilidade de nossas tensões. Isso não é utopia, é a dimensão do eu que transcende a si mesmo rumo à espiritualidade superior. Esperança é uma das três virtudes teologais, ou seja, aquelas que dependem de dons divinos: Fé, Esperança e Caritas. As virtudes teologais visam a obter a bem-aventurança.”
Para nós maçons e mais racionais, esperança é o somatório final de nossos projetos, a expectativa de alcançarmos os objetivos, sem depender sómente do divino ou dos mistérios da Natureza, mas sim do nosso trabalho, principalmente. Temos consciência de que pouco adianta esperarmos que os bens materiais e mesmo os lances de extrema felicidade inesperada, conhecidos como sorte, podem ou não acontecer, dependendo mais do meio em que vivemos do que da nossa mera expectativa.
Como devemos combater incessantemente a ignorância, o fanatismo, a superstição, e sabemos disso desde antes de nossa Iniciação, devemos ficar cientes de que nada se constrói sem trabalho. Para termos a obra do edicio social construído, temos que colocar pedra sobre pedra, já desbastada, de forma planejada e não esperar que elas caiam do céu em seu devido lugar.
Temos que ter esperança sim, de que com esforço, conseguiremos atingir nosso fim, e de que aplicando nosso conhecimento com as virtudes que tirarmos do simbolismo, teremos sucesso. Ela é uma virtude quando antecedida pela Força do malho e a vontade Aplicada do Cinzel. É uma expectativa justa e que merece obter resultado.
A Esperança advinda da ignorância, da simples razão de não termos conhecimento, nos arrasta para o comodismo e consequente falta de objetivos, sempre a espera de que algo aconteça ou alguém faça por nós.
Marco Piva - MI
Bibliografia
- Pequeno Tratado das Grandes Virtudes – Sponville, André C. de
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
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Um comentário:
Quando se fala em virtudes, sugiro sempre a leitura de "O Homem Medíocore" de José Ingenieros, um clássico que pode ser encontrado em qualquer livraria, ótimo para leitores de qualquer idade.
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